


Lavou todas as roupas e estendeu no varal, aproveitando o Sol do Sábado.
Colocou Brisa, a alegre companheira na corrente, que por sua vez resmungava a falta de confiança.
Fecha as portas e janelas e vai para a casa da Tia Lara, para o chá da tarde, porém esquece de soltar a cadela.
O tempo fecha durante sua visita, uma chuva se anuncia, dessas que barco seria o melhor transporte nas ruas de Porto Alegre.
Enquanto toma seu chá, pensa na roupa que se encharca no varal e na pobre Brisa, encolhida, ao relento e sozinha naquela tempestade.
Fica impossibilitada de volta pra casa, não existe um taxista que aventure a atravessar a cidade, naquele dia eram cachoeiras que desciam das nuvens.
No dia seguinte entra em casa desesperada e corre para o quintal
Não acreditou na visão que teve, queria matar Brisa, que a olhava com olhos de inocência e balançava seu meio rabo.
Brisa desenvolveu habilidade na técnica de recolher a roupa do varal, como também as coloca sempre juntas e lógico, deita em cima.
E não adiantou ter ido para coleira.
A vira-lata, medrosa, arrebentou a surrada tira de couro no primeiro trovão, estava seca e tinha passado a noite bem aquecida sobre as roupas retiradas do varal.
Foto: Gabriela Canale
Acorda com uma dor de cabeça daquelas em que os sentidos parecem dobrar ao simples toque do telefone.
Levanta e vai ao banheiro apoiando se nas paredes, vê no espelho o reflexo da maquiagem sensual da noite passada, que agora lhe borra a face, deixando aparente sua real beleza.
Molha o rosto e vestida apenas com uma peça de roupa, vai escorada do banheiro a cozinha em busca de água e remédios.
Abre o armário, com uma das mãos apóia se na pia, fica de ponta, com a outra tateia na segunda prateleira, encontra a cartela, retira um, abre a geladeira, que está repleta de nada e uma jarra mineral.
Engole o comprimido e bebe na jarra, que larga não lhe toma toda boca, escorre, molha o corpo, um quase banho, e na tentativa de secar a pele passa uma das mãos, do seio ao abdômen espalha o rastro feito de água, que ainda percorre, seu seio enrijece, a pele arrepia, ao sentir o percurso d’água sobre a pele, agora já na coxa.
E tomada por um sentimento alheio a explicações, relembra toda noite como um filme ao olhar o Vermelho/New York nas unhas.
Volta para cama, a flor da pele, afinal é Domingo.