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Multigrafias - intervenção urbana FOZ DO IGUACU

Primeiro andar, depois voar.






Centro de Foz do Iguaçu.
Natal, 2008.

Texto: Gabriela Canale.
Ilustração: Vital Lordelo.
Interferências: Margareth Miola e Marina Canale









intervenção na cidade PORTO ALEGRE

Para melhor visualização clique na imagem

Cidade Baixa Porto Alegre -RS - Brasil
texto de Gabriela Canale
Ilustração Vital Lordelo

Primeiro Andar


                                  Ilustração: Vital Lordelo


É possível escrever a cidade?
Codificar esta massa misturada que habita em mim?
Caminho pelas veias turbulentas e pergunto:
quem mora em quem?
quem é o habitante?
quem é o habitado, ela ou eu?

"São Paulo é cruel", repetem.
Eu estranho, acho tão generosa e voraz.
Esfingíca cartografia.

Não decoro mapas.
Transito cegamente nos subeterrâneos de concreto:
eu sei voar sobre trilhos e surfar em calçadas. 


                                                               texto:  Gabriela Canale 

Brisa

                                   Foto: Gabriela Canale

Lavou todas as roupas e estendeu no varal, aproveitando o Sol do Sábado. 

Colocou Brisa, a alegre companheira na corrente, que por sua vez resmungava a falta de confiança.

Fecha as portas e janelas e vai para a casa da Tia Lara, para o chá da tarde, porém esquece de soltar a cadela.

O tempo fecha durante sua visita, uma chuva se anuncia, dessas que barco seria o melhor transporte nas ruas de Porto Alegre.

Enquanto toma seu chá, pensa na roupa que se encharca no varal e na pobre Brisa, encolhida, ao relento e sozinha naquela tempestade.

Fica impossibilitada de volta pra casa, não existe um taxista que aventure a atravessar a cidade, naquele dia eram cachoeiras que desciam das nuvens.

No dia seguinte entra em casa desesperada e corre para o quintal

Não acreditou na visão que teve, queria matar Brisa, que a olhava com olhos de inocência e balançava seu meio rabo.

Brisa  desenvolveu habilidade na técnica de recolher a roupa do varal,  como também as coloca sempre juntas e lógico, deita em cima.

E não adiantou ter ido para coleira.

A vira-lata, medrosa, arrebentou  a surrada tira de couro no primeiro trovão, estava seca e tinha passado a noite bem aquecida sobre as roupas retiradas do varal.

Vermelho / New York

Foto: Gabriela Canale

Acorda com uma dor de cabeça daquelas em que os sentidos parecem dobrar ao simples toque do telefone.

Levanta e vai ao banheiro apoiando se nas paredes, vê no espelho o reflexo da maquiagem sensual da noite passada, que agora lhe borra a face, deixando aparente sua real beleza.

Molha o rosto e vestida apenas com uma peça de roupa, vai escorada do banheiro a cozinha em busca de água e remédios.

Abre o armário, com uma das mãos apóia se na pia, fica de ponta, com a outra tateia na segunda prateleira, encontra a cartela, retira um, abre a geladeira, que está repleta de nada e uma jarra mineral.

Engole o comprimido e bebe na jarra, que larga não lhe toma toda boca, escorre, molha o corpo, um quase banho, e na tentativa de secar a pele passa uma das mãos, do seio ao abdômen espalha o rastro feito de água, que ainda percorre, seu seio enrijece, a pele arrepia, ao sentir o percurso d’água sobre a pele, agora já na coxa.

E tomada por um sentimento alheio a explicações, relembra toda noite como um filme ao olhar o Vermelho/New York nas unhas.

Volta para cama, a flor da pele, afinal é Domingo.

MULTIGRAFIAS Auto-transparências

Foto de Gabriela Canale. São Paulo, maio de 2008.


Foto de Ísis Fernandes. Berlim, maio de 2008.